Berihah (“fuga” ou “escapada”) ajudou sobreviventes do Holocausto a atravessar o leste europeu e chegar a zonas aliadas depois da Segunda Guerra Mundial. De lá, organizadores da Aliyah Bet providenciaram travessias marítimas não autorizadas para a Palestina, onde as autoridades britânicas interceptaram muitos navios. Entre agosto de 1946 e maio de 1948, a Grã-Bretanha deteve cerca de 52.000 refugiados em Chipre; a maioria eram sobreviventes do Holocausto, segundo o histórico do museu sobre os campos em Chipre.
A Berihah conduziu os sobreviventes para o oeste
A destruição de lares e comunidades judaicas, somada ao antissemitismo do pós-guerra, fez com que muitos sobreviventes não pudessem ou não quisessem voltar às suas cidades de origem, como detalha o relato do museu sobre o pós-guerra. Na Alemanha, Áustria e Itália sob administração aliada, os campos para deslocados ofereciam abrigo temporário enquanto eles buscavam um destino permanente. A população de deslocados judeus chegou a cerca de 250.000 em 1947, segundo o histórico do museu sobre pessoas deslocadas.
De 1945 a 1948, a Berihah transferiu mais de 100.000 judeus do leste europeu para zonas administradas pelos Aliados e campos para deslocados, segundo o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos. O movimento era uma rede de organizadores e rotas, não uma única operação naval; muitos sobreviventes depois seguiram até portos para embarcar rumo à Palestina.
Navios da Aliyah Bet enfrentaram interceptações britânicas
A Grã-Bretanha manteve restrições à imigração previstas no Livro Branco de 1939. A resistência judaica organizou a Aliyah Bet, também chamada Ha’apala, para levar refugiados por mar sem certificados britânicos. O Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos registra que as autoridades britânicas capturaram no mar mais de 50.000 refugiados entre 1945 e 1948 e os enviaram a Chipre.
O caso mais conhecido foi o do Exodus 1947, que transportava cerca de 4.500 sobreviventes do Holocausto, segundo a Enciclopédia do Holocausto. As forças britânicas o interceptaram em julho de 1947 e devolveram seus passageiros à Europa, em vez de enviá-los a Chipre. O episódio chamou a atenção internacional para a situação dos sobreviventes. A rota migratória e o destino dos detidos em Chipre são etapas conectadas da mesma história do pós-guerra, documentada no histórico do museu sobre os campos em Chipre.
A vida atrás das cercas em Chipre
A Grã-Bretanha operava campos de verão em Kraolos, onde os refugiados viviam em tendas, e campos de inverno em Dekalia, com barracas de metal e tendas. As condições eram duras: superlotação, calor e frio, água limitada, saneamento precário e poucos móveis. O Comitê de Distribuição Conjunta Judaica Americana fornecia alimentos e assistência médica. Grupos juvenis organizavam aulas e atividades; o Campo 64 tornou-se uma aldeia juvenil para muitas crianças e adolescentes.
Cerca de 2.000 bebês nasceram durante o internamento, e 400 detidos morreram na ilha. Após a criação de Israel, em maio de 1948, os detidos começaram a partir para o novo Estado. O último campo em Chipre fechou em fevereiro de 1949. Leia a visão geral da contribuição dos sobreviventes a Israel e o relato dos recrutas do exterior na Guerra de 1948.