Número de vítimas do terrorismo em Bondi Beach sobe para 16 após a morte de Eva Geller
Eva Geller, uma sobrevivente do Holocausto de 90 anos que ficou gravemente ferida durante um ataque a tiros contra uma celebração de Hanucá na praia de Bondi Beach, em Sydney, em 14 de dezembro de 2025, faleceu durante a noite em um hospital de Sydney, conforme divulgado pelo Combat Antisemitism Movement e pelo Jewish News Syndicate. Sua morte eleva para 16 o total de vítimas fatais confirmadas do massacre a tiros, quase um ano após dois atiradores terem como alvo a reunião pública da comunidade judaica.
De acordo com informações de The Epoch Times, Geller lutou contra infecções contínuas e graves complicações de saúde decorrentes dos disparos sofridos durante o atentado, que inicialmente deixou 15 mortos e cerca de 40 feridos. A Polícia de Nova Gales do Sul confirmou que foi notificada sobre a morte de Geller em um hospital nos subúrbios orientais de Sydney e declarou que os investigadores aguardam novas instruções enquanto se coordenam diretamente com o Gabinete do Médico-Legista (Office of the Coroner).
Desafiando prognósticos após escapar do Holocausto
A vida de Geller foi marcada por uma resiliência extraordinária frente à perseguição totalitária e à extrema violência. Conforme registrado pelo Combat Antisemitism Movement, Geller sobreviveu ao Holocausto e chegou à Austrália vinda da Hungria ainda criança, enquanto o JNS destacou que ela fugiu da Romênia durante o Holocausto, perdendo inúmeros parentes no genocídio antes de reconstruir sua vida e família na Austrália. O rabino Aron Moss, da Sinagoga Nefesh em Bondi Beach, frequentada por Geller, compartilhou que ela também suportou a perda de seu marido em idade relativamente jovem.
Após o tiroteio de dezembro de 2025, os médicos inicialmente alertaram que Geller nunca mais voltaria a andar, dada a gravidade dos ferimentos por arma de fogo. Conforme relatado tanto pelo Combat Antisemitism Movement quanto pelo JNS, Geller demonstrou uma determinação notável, reaprendendo a andar e conseguindo comemorar seu 90º aniversário no início do ano. Embora tenha alternado internações hospitalares e permanecido a maior parte do tempo acamada após o ataque, o rabino Moss ressaltou que ela manteve um espírito positivo, enquanto o Chabad de Bondi lembrou que ela passou quase doze meses enfrentando tratamentos hospitalares e complicações decorrentes do massacre.
O ataque terrorista e os desdobramentos jurídicos
As autoridades australianas classificaram formalmente o atentado de Bondi Beach como um ataque terrorista antissemita. De acordo com detalhes da polícia divulgados pelo JNS e pelo The Epoch Times, os dois agressores foram identificados como Sajid Akram, de 50 anos, e seu filho Naveed Akram, de 24 anos, que, segundo as autoridades, se inspiravam na organização terrorista Estado Islâmico. O atirador mais velho foi morto a tiros por policiais que atenderam à ocorrência no local, enquanto Naveed Akram foi preso e permanece sob custódia, respondendo a 15 acusações de homicídio, 40 de tentativa de homicídio e uma acusação de terrorismo.
O ataque foi o tiroteio em massa mais violento da Austrália em décadas, levando o governo de Nova Gales do Sul a tornar permanente uma unidade policial de resposta rápida voltada para crimes de ódio e violência extremista. O JNS informou que um inquérito apoiado pelo governo sobre antissemitismo e coesão social, que realizou 62 dias de audiências e colheu depoimentos de mais de 340 testemunhas, tem apresentação de suas conclusões finais prevista para 18 de dezembro.
Repercussão na comunidade e lideranças nacionais
A morte de Geller gerou comoção generalizada e repúdio em toda a comunidade judaica e na liderança política australiana. O advogado australiano-israelense de direitos humanos Arsen Ostrovsky, que sobreviveu ao atentado de Bondi, lamentou a perda de Geller como a 16ª vítima fatal do ataque, classificando sua morte como devastadora nas redes sociais. A Embaixada de Israel na Austrália emitiu um comunicado manifestando profundo pesar, ressaltando que Geller sobreviveu aos horrores do Holocausto e construiu uma vida na Austrália apenas para se tornar vítima do terrorismo antissemita décadas depois.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, prestou condolências à família de Geller e à comunidade judaica, afirmando que ela deveria ter tido o direito de celebrar o Hanucá em paz e segurança, em vez de ter sua vida destruída por um ato de terror. O líder da oposição australiana, Angus Taylor, declarou que a dor do pior ataque terrorista em solo nacional tornou-se ainda mais profunda com a partida de Geller em decorrência de seus ferimentos. O diretor-executivo da Associação Judaica Australiana, Robert Gregory, enfatizou ao The Epoch Times que a morte de Geller evidencia como as consequências do atentado permanecem em aberto, ressaltando que o impacto total dessa tragédia não pode ser medido apenas pelas vítimas registradas no dia do ataque.