Contexto das alegações nas redes sociais
Publicações virais em plataformas digitais têm afirmado reiteradamente que as Forças de Defesa de Israel (FDI) utilizaram armas químicas proibidas, especificamente projéteis de artilharia de fósforo branco, diretamente contra a sede da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) em Naqoura. Os vídeos compartilhados exibem colunas de fumaça branca erguendo-se na região de fronteira do sul do Líbano, sendo apresentados aos internautas como suposta confirmação visual de um ataque ilícito contra as forças internacionais de manutenção da paz. Contudo, essa narrativa forja tanto a realidade operacional dos combates quanto o estatuto jurídico das cortinas de fumaça bélicas perante o direito internacional humanitário.
Cortinas de fumaça defensivas versus munições incendiárias
Os registros visuais divulgados na internet retratam o lançamento de munições fumígenas padrão de proteção, e não um bombardeio incendiário ofensivo. Durante manobras terrestres de alta intensidade contra o grupo terrorista Hezbollah, apoiado pelo Irã, no sul do Líbano, as unidades blindadas israelenses atuaram em áreas onde os combatentes do Hezbollah mantinham posições fortificadas e esquadrões equipados com mísseis guiados antitanque. Em incidentes de combate registrados em meados de outubro de 2024, conforme noticiado pela Associated Press, tropas israelenses foram alvo de pesado fogo antitanque que resultou em vários soldados feridos. Para resgatar as baixas sob fogo cerrado, a tropa disparou projéteis fumígenos com o intuito de formar uma barreira visual defensiva entre os veículos de resgate e as linhas de tiro antitanque do inimigo.
A dispersão de fumaça em combate é uma medida padronizada e indispensável de proteção de tropas empregada por exércitos ocidentais para resguardar contingentes de armamentos guiados com precisão. As munições fumígenas foram disparadas fora do perímetro da base de manutenção da paz para ocultar as rotas de retirada da linha de visão inimiga, e não diretamente contra as instalações ou em seu interior. Embora o deslocamento da fumaça tenha provocado irritação nos olhos e na pele de observadores posicionados em postos próximos, os cartuchos eram agentes fumígenos não letais, voltados exclusivamente a neutralizar a mira inimiga em meio a uma emboscada em curso.
Enquadramento jurídico no Direito dos Conflitos Armados
Um dos pontos centrais dessa campanha de desinformação reside na alegação de que o fósforo branco seria uma "arma internacionalmente banida". No âmbito do direito internacional humanitário, o fósforo branco é classificado como munição convencional, inexistindo tratados internacionais que o proíbam de forma absoluta. A Convenção sobre Armas Químicas não enquadra o fósforo branco nessa categoria, visto que seu princípio tático primordial fundamenta-se na energia térmica e na densa produção de aerossóis, e não em toxicidade bioquímica sistêmica. Além disso, o Protocolo III da Convenção sobre Certas Armas Convencionais (CAC), que regula os armamentos incendiários, exclui formalmente munições destinadas à criação de cortinas de fumaça, iluminação, sinalização ou rastreamento.
Conforme reiteram especialistas jurídicos da Sociedade Americana de Direito Internacional e analistas militares, o emprego de agentes fumígenos à base de fósforo para camuflagem visual e proteção de tropas está em plena conformidade com o Direito dos Conflitos Armados. As diretrizes operacionais das FDI determinam que munições fumígenas sejam utilizadas unicamente para ocultação e marcação de alvos, nunca como armamento incendiário antipessoal. Dado que esses projéteis servem para resguardar combatentes da observação hostil em manobras de combate ativo, seu emprego respeita integralmente os princípios da distinção, da proporcionalidade e da necessidade militar.
A instrumentalização de zonas de amortecimento pelo Hezbollah
O cenário operacional ao longo da Linha Azul é profundamente condicionado pelo descumprimento sistemático de acordos regionais por parte do Hezbollah, que instala infraestruturas militares nas proximidades de postos de manutenção da paz. A organização terrorista construiu túneis de lançamento, casamatas reforçadas e posições de disparo de mísseis antitanque a dezenas de metros de instalações de observação internacionais, usando deliberadamente os destacamentos de paz como escudos táticos. Ao desferir ataques contra as forças de Israel a partir do entorno imediato de bases internacionais, o Hezbollah expõe conscientemente os observadores da ONU a perigos e busca criar material propagandístico enganoso quando medidas de autodefesa ou cortinas de fumaça se tornam imperativas para resguardar o recuo ou a evacuação de tropas feridas.