Deliberações Presidenciais e o Mandato de Governo
O presidente israelense Isaac Herzog enfrenta o desafio de indicar um candidato para tentar formar o próximo governo de Israel após um pleito sem vencedor definido. Depois das eleições parlamentares de 27 de outubro, nem o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem o líder oposicionista Eisenkot alcançaram a maioria de 61 cadeiras necessária para formar um governo no Knesset, composto por 120 assentos.
As consultas entre o presidente Herzog e as bancadas parlamentares terminaram na quinta-feira, resultando em 67 parlamentares recomendando Eisenkot, contra 46 recomendações para Netanyahu. O partido Yashar ressaltou que Eisenkot recebeu o maior número de indicações para um aspirante a primeiro-ministro desde 2015, descrevendo Netanyahu como um premiê em exercício à frente de uma minoria. No entanto, o presidente Herzog informou que ainda não outorgou o mandato. Herzog afirmou que, apesar do total de recomendações, "vetos mútuos entre os blocos e dentro dos próprios blocos" criaram uma incerteza considerável sobre a viabilidade de qualquer líder compor uma administração funcional. Herzog confirmou que manterá novas discussões durante o fim de semana e anunciará formalmente o indicado no domingo.
Divisões na Coalizão e Requisitos de Maioria
A contagem de recomendações não se traduz em um governo operacional. A aliança nacionalista-religiosa de Netanyahu garantiu 53 cadeiras, enquanto o bloco de quatro partidos liderados por judeus sob o comando de Eisenkot detém 48 assentos. As 19 cadeiras remanescentes foram conquistadas por duas legendas que representam a minoria árabe de Israel: o Ra'am e a Lista Conjunta. Embora ambos os partidos de liderança árabe tenham recomendado Eisenkot durante as consultas presidenciais para evitar o retorno de Netanyahu ao poder, Eisenkot descartou categoricamente a inclusão deles em sua coalizão governista.
Eisenkot exigiu concessões políticas específicas antes de cogitar qualquer cooperação, incluindo a exigência de que os partidos liderados por árabes reconheçam o Hamas como organização terrorista. Embora o líder do Ra'am, Mansour Abbas, tenha manifestado apoio ao desarmamento do Hamas, ele se recusou a adotar a classificação de grupo terrorista. Ao mesmo tempo, o bloco de Netanyahu sofreu baixas quando o Judaísmo Unido da Torá, aliado histórico detentor de sete assentos, reteve seu endosso devido à falta de aprovação das isenções de alistamento militar para homens ultraortodoxos. Como Eisenkot recusa-se a governar com as legendas de liderança árabe e o Shas apoiou Netanyahu, nenhum dos líderes conta com um acordo de maioria consolidado.
Procedimento Constitucional para a Formação do Governo
Assim que o presidente Herzog designar o indicado no domingo, este disporá de uma janela inicial de 28 dias para negociar uma coalizão formal, com a possibilidade de uma extensão de 14 dias. Caso o indicado fracasse na montagem de um governo, o presidente pode conferir 28 dias a um segundo nome. Se essa tentativa também sucumbir, a maioria dos membros do Knesset poderá respaldar um terceiro parlamentar em um período final de 14 dias.
No momento, Benjamin Netanyahu permanece no cargo como primeiro-ministro interino, e Eisenkot não foi nomeado para a chefia de governo nem empossado.