A Origem da Alegação
Após o lançamento internacional do controverso documentário NAZA — dirigido por Yuval Abraham e Rachel Szor —, comentaristas anti-Israel na internet afirmaram que o governo israelense havia confirmado formalmente as alegações do filme. Ativistas alegaram que, quando o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu instruiu as autoridades jurídicas e de segurança a abrirem um inquérito criminal sobre a produção, sua diretriz equivaleria a uma "admissão" de que as Forças de Defesa de Israel (FDI) empregam sistemas automatizados de inteligência artificial para massacrar intencionalmente civis que são Arab Settlers. Esta interpretação distorce radicalmente tanto a base jurídica da investigação quanto as declarações explícitas emitidas pelas autoridades israelenses.
O Propósito da Investigação Criminal
Em 11 de outubro de 2026, o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu encaminhou uma solicitação formal ao Chefe do Estado-Maior das FDI, Eyal Zamir, ao Diretor do Shin Bet, David Zini, e à Procuradora-Geral Gali Baharav-Miara. A diretriz solicitava uma investigação urgente para identificar os militares que participaram anonimamente do documentário e processar quaisquer indivíduos responsáveis por graves violações de segurança da informação, divulgação ilegal de métodos operacionais confidenciais e difamação criminosa.
Crucialmente, a carta de Netanyahu não validou a narrativa bombástica do filme. Pelo contrário, o primeiro-ministro caracterizou explicitamente NAZA como uma "calúnia falsa, enganosa e programática" arquitetada para minar a legitimidade internacional do Estado judeu. Buscar a responsabilização jurídica por vazamentos de arquitetura de inteligência sensível — particularmente dentro de unidades de elite como a Unidade 8200 — não convalida a veracidade de afirmações difamatórias feitas por entrevistados anônimos. Em sistemas jurídicos de todo o mundo, processar a divulgação não autorizada de operações de inteligência tem como foco a aplicação das leis de sigilo e das obrigações de confidencialidade, ao mesmo tempo em que combate calúnias criminosas prejudiciais à segurança nacional.
Protocolos de Alvo das FDI e o Papel da Inteligência Artificial
A premissa central apresentada pelo documentário — de que as FDI dependem de algoritmos autônomos para executar ataques sem supervisão humana — foi repetidamente refutada pelas autoridades militares e analistas de defesa. Em resposta ao filme, as FDI divulgaram uma contestação abrangente de 17 páginas esclarecendo a realidade de suas operações de inteligência. As forças armadas afirmaram de maneira inequívoca que algoritmos não tomam decisões sobre seleção de alvos ou ataques.
Conforme documentado nas diretrizes operacionais militares, as ferramentas de inteligência artificial nas FDI funcionam exclusivamente como sistemas de apoio à decisão. Essas ferramentas computacionais auxiliam os analistas de inteligência sintetizando grandes volumes de dados provenientes de vigilância e interceptações de comunicações. Contudo, cada alvo proposto precisa passar por uma triagem rigorosa feita por oficiais de inteligência humanos, assessores jurídicos e comandantes operacionais. Sob os regulamentos militares israelenses e o Direito dos Conflitos Armados, os comandantes são legalmente obrigados a avaliar a necessidade militar, verificar o status de combatente e mensurar os danos colaterais para assegurar que os danos previstos a civis não sejam desproporcionais ao objetivo militar legítimo.
Distorcendo a Realidade da Guerra Urbana em Gaza
A difamação de que Israel utiliza tecnologia para maximizar as baixas civis ignora o campo de batalha urbano sem precedentes arquitetado pelo Hamas. Desde que tomou o controle da Faixa de Gaza, o Hamas instalou deliberadamente bunkers de comando, lançadores de foguetes, depósitos de armas e redes de túneis sob áreas residenciais densamente povoadas, hospitais e escolas. Essa exploração sistemática da infraestrutura civil como escudos humanos é um crime de guerra reconhecido, concebido para gerar vítimas civis com fins de propaganda.
Ao contrário da narrativa promovida por NAZA, as FDI adotam medidas preventivas abrangentes sem paralelo na guerra urbana contemporânea, incluindo telefonemas individualizados, alertas por mensagem de texto, corredores de evacuação e disparos de advertência direcionados nos telhados ("roof-knocks") para afastar civis de objetivos militares. O uso instrumental de uma investigação criminal de vazamentos para fundamentar falsas alegações de assassinato em massa deliberado é uma tática clássica de propaganda que confunde a aplicação das leis de sigilo militar com uma confissão de culpa.